continuar ...

Olhei pela janela, a chuva caía miudinha, calmamente. Não quis pensar em mais nada a não ser ficar ali, enroscada aos cobertores, sentir o seu calor e vazar a cabeça. A televisão estava ligada, estava a dar um filme mas não lhe prestei atenção. A minha mente estava a milhas de distância dali, mas também não sabia em concreto onde estava. Senti os olhos a pesar, bocejei vagarosamente. Enrosquei-me ainda mais nos cobertores. Deixei que o sono me invadisse, o som da televisão deixou de ser perceptível. Adormeci.

Tive um sonho. Devo dizer que foi um sonho muito estranho. Sinceramente já não me consigo recordar bem, mas acordei apavorada, escorria água pela minha cara, não sei se suor se lágrimas. Não tinha sido um pesadelo… mas também não fora o melhor sonho da minha vida. Apesar de ser contraditório, foi mesmo assim que aconteceu. Não caía só chuva lá fora, cá dentro também caía, eu estava apavorada, indecisa, assustada. A chuva transmitia-me uma insegurança extrema e aquele sonho não tinha ajudado a supera-la. Ele apareceu no meio do meu sonho, depois de tanto tempo, depois de tudo. O amor, a felicidade, a alegria; tudo voltou à minha vida, através de um sonho. E eu não consigo perceber o seu significado. Será que devo ir em busca de tudo o que perdi? O que faço eu agora?

De certa forma, o brilho não abandonou o meu olhar nem o sorriso quis deixar os meus lábios. Embora estivesse apavorada, o meu subconsciente sentia-se feliz. Tudo o que sonhei, embora não passassem de miragens no meu imenso deserto, eram boas miragens. Eu admirava-te! Sim, foi a única coisa de que me lembrei. Eu admirava-te e queria-te mais que tudo. E tu davas! Entregavas-te de corpo e alma, tal como eu o fazia, éramos um só e eu era feliz… muito feliz.

Mas não passava de uma armadilha do meu subconsciente. Por mais que quisesse que tudo voltasse ao normal, tudo como era de antes, (e não tenho a certeza de como seria), tu já não estas cá. Preferiste virar as costas aos problemas e sair pela mesma porta por onde entraste, só que de maneiras diferentes. Entraste sem pudor, como se já cá estivesses estado e saíste de cabeça baixa, como se tivesses vergonha do que fizeste enquanto tiveste presente. Chego à conclusão que já nada faz sentido: o tempo que passei sem ti, e agora um sonho vindo da terra mais longínqua do planeta dos sonhos. Estou confusa e quero perceber o que significas para mim.

Por muito que queira que essas miragens sejam reais, que encontrasse o oásis neste meu deserto, não encontro. As minhas lágrimas continuaram a correr como um rio e até que ele seque, continuarei a sonhar nas tardes de chuva.

(frases soltas, escritas por Ana Figueira e Joana Cunha)

2 comentários:

  1. o nosso texto lindo

    temos mesmo jeitinho. e nao, nada nos impede de sonhar, de voar mais alto que a nossa dor e ser feliz


    amo-te ju

    ResponderEliminar

«sorri, esquece, dorme, sonha; mas sobretudo, vive»